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	<title> &#187; Opinião</title>
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		<title>Artigo</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Mar 2009 16:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Redação</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo]]></category>
		<category><![CDATA[informação]]></category>

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		<description><![CDATA[Investimentos estruturais e conscientização Bueiros entupidos também são vilões das enchentes. Participação da população pode amenizar o problema De acordo com o SAISP, das 16:10 horas do dia 17 até as 04:20 do dia 18 choveu 78,6 mm no Ribeirão dos Meninos e no Ribeirão dos Couros 75mm. Isso é mais que um terço da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;">
<h1 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;"></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: black; font-family: Arial; mso-bidi-font-style: italic; mso-font-kerning: 18.0pt;"><span style="font-size: small;">Investimentos estruturais e conscientização</span></span><span style="font-family: Arial;"></span></p>
<p></span></h1>
<h1 class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt; text-align: center;"><em><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Bueiros entupidos também são vilões das enchentes. Participação da população pode amenizar o problema</span></em></h1>
</h1>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">De acordo com o SAISP, das 16:10 horas do dia 17 até as 04:20 do dia 18 choveu 78,6 mm no Ribeirão dos Meninos e no Ribeirão dos Couros 75mm. Isso é mais que um terço da média histórica para o mês de março (178mm) e os meteorologistas já avisaram que a tendência é de chuvas acima da média neste mês. O cenário que se viu na cidade foi de caos absoluto. Alagamentos, congestionamentos, multidões retidas no metrô ou no trabalho. A cidade não está preparada para as chuvas?’</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">A resposta não é tão simples assim. Qualquer aluno de Engenharia Civil aprende muito cedo que, para combater as enchentes, é preciso investir em medidas estruturais e não-estruturais. Certamente o problema das cheias em São Paulo exige investimentos estruturais, como a construção de piscinões, de diques e de reservatórios, além da canalização de córregos e de rios. No entanto, a cidade carece de medidas não-estruturais, que são tão importantes quanto as obras hidráulicas – possuindo um custo menor – mas que dependem da participação da população. Medidas como a limpeza de galerias das margens dos cursos d´água, de bueiros, de calçadas, de terrenos baldios e, até mesmo, do quintal de cada munícipe são fundamentais e devem ser contínuas. Os cidadãos precisam se conscientizar de que o simples ato de jogar um papel na rua é prejudicial à cidade e pode ajudar a entupir um bueiro. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">As cheias da cidade de São Paulo são tão históricas, que até o famoso pintor Benedito Calixto chegou a registrar uma. Os primeiros registros de cheia na cidade datam do século XVIII e a maior inundação da área urbana ocorreu em 1929. Realizando uma retrospectiva, o governo de São Paulo criou, em 1951, o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) para gerenciar o uso da água e a geração de energia elétrica no Estado. A partir de 1960, começou a realizar obras visando minimizar o efeito das chuvas. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Na década de 1980, a capacidade da calha do Rio Tietê era de, aproximadamente, 600 m3/s, ou seja, 600 caixas d´água de 1.000 litros por segundo. No entanto, no ano de 1983, ocorreu uma grande cheia que paralisou toda a cidade, chegando a vazão do Rio Tietê a atingir mais de 1.000 m3/s na usina de Edgard de Souza, na região de Santana do Parnaíba.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">No final desse mesmo período, foram realizadas obras para o aprofundamento da calha do Rio Tietê e, mesmo assim, ocorreu novamente uma grande cheia que paralisou a cidade de São Paulo na década de 1990. Diante do ocorrido, em 1995 o governo conseguiu um financiamento para uma nova obra de aprofundamento da calha do rio. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Inicialmente, foi realizado o aprofundamento de 16,5 quilômetros da calha do Rio Tietê – numa média de 2,5 metros de rebaixamento – entre o “Cebolão” e o lago da barragem Edgard de Souza, executado parcialmente no final dos anos 80 e retomado após a obtenção do novo financiamento em janeiro de 1998, sendo concluído em dezembro de 2000. O projeto contemplou também as obras de canalização do Rio Cabuçu de Cima, entre a foz do Rio Tietê e a Ponte Três Cruzes, obras que visaram à melhoria hidráulica e a sua conclusão.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Novas obras foram iniciadas em abril de 2002, na qual foram removidos cerca de 6,8 milhões de m³ de solo e de rochas, resultando em um aprofundamento médio de 2,5 metros, que ampliou a largura do canal entre 41 e 46 metros e aumentou a vazão do Rio Tietê de 640 m³/s para 1.060 m³/s, na altura do “Cebolão”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Outras obras estruturais já realizadas em São Paulo foram os reservatórios para a retenção das ondas de cheia, construídos ao longo de alguns afluentes, que permitem que a capacidade da calha do Rio Tietê possa suportar o grande volume de escoamento superficial da região metropolitana.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Uma forma importante de intervenção não-estrutural é o Sistema de Alerta a Inundações de São Paulo (SAISP), que é composto por um radar meteorológico e por uma rede telemétrica de hidrologia, que monitora e prevê as intensidades das chuvas e os níveis dos cursos d´água na região metropolitana, assim como também o registro da situação dos piscinões. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">O SAISP fornece subsídios ao Centro de Gerenciamento de Emergências da cidade de São Paulo, às Defesas Civis do Estado e aos municípios para que sejam realizadas intervenções para a prevenção e para medidas mitigadoras voltadas aos casos de emergência. É preciso salientar que existe hoje uma grande integração para ações desse tipo em todo o Estado de São Paulo.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">A conclusão é a de que os órgãos responsáveis possuem um mapeamento das regiões de risco e dos pontos de alagamentos na cidade. Existem pontos estratégicos monitorados 24 horas por dia, para avaliar os níveis de chuva e dos rios. Muitas obras foram realizadas e outras tantas estão para ser feitas. Mas só isso resolve?</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">Não há como ter dúvidas de que a conscientização e a participação da população é muito importante para evitar o agravamento das cheias. O simples ato de jogar um papel no chão pode liquidar com todo e qualquer investimento realizado, colocando em risco a vida de diversas pessoas. E, não raro, até sofás são vistos boiando no Tietê! </span></p>
<p class="MsoNormal"><em><span style="font-size: 10pt; font-family: Arial;">João Batista Mendes é Doutor em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e Professor da Universidade Nove de Julho (UNINOVE)</span></em></p>
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