Teatro de Arena recebe três montagens da Boa Companhia

Cartas do Paraíso estreia dia 9 de julho.

O segundo espetáculo a integar a temporada da Ocupação Boa Companhia: O Lobo do Homem no Teatro de Arena Eugênio Kusnet é Cartas do Paraíso, que estreia dia 9 de julho, sexta-feira, às 21 horas. As sessões serão às sextas e sábados do mês de julho. A montagem Primus inaugurou a mostra (2/7) e segue em temporada aos domingos (20h) até 22 de agosto.

Agosto começa com Portela, Patrão; Mário, Motorista – entre os dias de 6 a 20, às sextas e sábados (21h). Portanto, No último final de semana da mostra (20, 21 e 21 de agosto; sexta, sábado e domingo) serão apresentados os três espetáculos, respectivamente: Portela, Patrão; Mário, Motorista, Cartas do Paraíso e Primos.

O foco central da mostra está na mistura entre a arte do ator, proposta pela Boa Companhia, que explora a fronteira entre o teatro, a dança e a performance com a temática do poder, exercida pelo homem sobre o próprio homem e sobre a natureza que o cerca. Questões filosóficas, estas, relativas à superioridade do ser humano frente à natureza, os limites entre natureza e cultura, a necessidade de submissão e consequente perda da liberdade para fazer parte do “show da civilização”: o humano como reino da necessidade e não da liberdade. Estes são alguns dos instigantes questionamentos trazidos por esses espetáculos.

A Boa Companhia )Campinas. SP) atua, desde 1992, tendo como proposta a pesquisa da linguagem cênica a partir do trabalho do ator. São profissionais da área teatral dispostos não só a apresentar suas montagens teatrais e performances, mas também divulgar as técnicas trabalhadas em sala de ensaio oferecendo diversas oficinas para atores e não atores. Com este intuito, vem norteando a sua atuação através da pesquisa, intercâmbio e a férrea vontade de expandir os horizontes através da arte. Exibe um currículo eclético, com montagens que vão de Shakespeare a Qorpo Santo, passando por Nelson Rodrigues e Samuel Beckett, além de adaptações de textos literários de autores como Guimarães Rosa e Franz Kafka. www.boacompanhia.art.br

  • Cartas do Paraíso

Ocupação Boa Companhia: O Lobo do Homem

De 9 a 31 de julho – sextas e sábados (21h) e 21 de agosto – sábado (21h)

Elenco: Alexandre Caetano, Eduardo Osorio, Gustavo Valezi e Moacir Ferraz

Direção: Verônica Fabrini

Direção musical e trilha sonora: Silas Oliveira

Iluminação: Cláudia Echenique

Figurino: Guilherme Guedes

Gênero: Drama – Classificação etária: 12 anos – Duração: 75 min

Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque/SP – Tel: (11) 3256-9463

Ingressos: R$ 10,00 (¹/2 entrada: R$ 5,00) – Bilheteria: 2 horas antes das sessões

90 lugares – Acesso universal. Ar condicionado. Não faz reservas. Não aceita cheque/cartão.

Acima da Linha do Equador, homens desafiam o mar tenebroso em busca de novos caminhos, de novas terras, quem sabe, um Paraíso. Abaixo da Linha do Equador, outros homens dançam até seus corpos se tornarem leves e serem levados pelo vento, acima e além das grandes águas para alguma terra sem males; quem sabe, um Paraíso. Na linha branca de areia, começo de um caminhar para beira de outro lugar, esses homens se encontram, devoram-se, transformam-se uns nos outros, amalgamados, mestiços, amedrontados e pasmos diante da morte. A bordo das canoas com asas viajam um degredado, um padre, um jovem cartógrafo e um bufão. Na praia, os aguardam xamãs e guerreiros. Na iminência de um apocalipse dois imaginários se encontram e se perguntam: alguém sabe onde fica o paraíso?

  • Primus

Ocupação Boa Companhia: O Lobo do Homem

De 11 de julho a 22 de agosto – domingos (20h)

Elenco: Alexandre Caetano, Daves Otani, Eduardo Osório e Moacir Ferraz

Direção: Verônica Fabrini

Iluminação: Clermont Pithan e Daves Otani

Direção Musical: Max Costa

Gênero: Drama – Classificação etária: 12 anos – Duração: 60 min

Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque/SP – Tel: (11) 3256-9463

Ingressos: R$ 10,00 (¹/2 entrada: R$ 5,00) – Bilheteria: 2 horas antes das sessões

90 lugares – Acesso universal. Ar condicionado. Não faz reservas. Não aceita cheque/cartão.

Baseado no conto Comunicado a uma Academia, de Franz Kafka, Primus busca refletir sobre o gigantesco percurso da evolução humana. Conta a história de um macaco que para garantir seu lugar ao sol, aprende a ser homem e torna-se um pop star do show business. A base gestual tem como ponto de partida o estudo das estereotipias de primatas em cativeiro, por meio de observações no Zoológico e registros em vídeo; o trabalho vocal parte da linguagem não articulada, caminhando para a palavra, passando por canções do music-hall até chegar à alta codificação do canto lírico; e as imagens que compõem parte do cenário procuram captar as dissonâncias entre a harmonia do mundo natural versus a desarmonia do mundo civilizado. A percussão busca nos ritmos primitivos africanos e no trabalho de livre improvisação construir climas sonoros que hora conduzem a cena, hora oferecem apenas uma sustentação rítmica para ela. A montagem busca no diálogo entre essas três linguagens transpor para a cena os temas que a Companhia considera fundamentais no conto de Kafka.

  • Portela, Patrão; Mário, Motorista

Ocupação Boa Companhia: O Lobo do Homem

De 6 a 20 de agosto – sextas e sábados – (21h)

Criação e atuação: Daves Otani e Eduardo Osorio

Provocação cênica: Alexandre Caetano, Verônica Fabrini e Moacir Ferraz

Iluminação: Marcelo Rodrigues e Clermont Pithan

Confecção de Bonecos: Helô Cardoso, Caio Sanfelice e Marcos Laporte

Gênero: Drama – Classificação etária: 14 anos – Duração: 50 min

Teatro de Arena Eugênio Kusnet

Rua Dr. Teodoro Baima, 94 – Vila Buarque/SP – Tel: (11) 3256-9463

Ingressos: R$ 10,00 (¹/2 entrada: R$ 5,00) – Bilheteria: 2 horas antes das sessões

90 lugares – Acesso universal. Ar condicionado. Não faz reservas. Não aceita cheque/cartão.

Em meio a bonecos que compõem o cenário da peça, inspirados nos personagens animalescos que habitam as gravuras “Os Caprichos”, de Goya, dois homens de realidades sociais distintas se encontram no final de uma noite, em um boteco: Portela, patrão; Mário, motorista. Este é o ponto de partida para uma reflexão sobre as relações humanas pautadas pelo dinheiro e pelo poder que dele advém. Portela tem na bebida uma espécie de antídoto para o seu coração frio de patrão, que se humaniza quando está embriagado. Mário, por sua vez, aproveita-se das “escapadas alcoólicas” de seu patrão para agradá-lo e garantir seu emprego de motorista neste mundo que parece aceitar todas as mazelas humanas, oriundas de uma sociedade excludente. Mundo esse, que se organiza em torno das relações de trabalho e que se deixa embriagar pela espetacularização da vida, repetindo modelos e comportamentos, onde encontramos Portelas, Mários e bebedeiras por toda parte.

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