São Paulo e as Metrópoles Mundiais
Gilberto Kassab

Um dos maiores desafios dos administradores das metrópoles mundiais é diminuir os índices de poluição ambiental. Ou seja, assumir o compromisso de deixar “as grandes cidades com baixos níveis de carbono”, conforme a Declaração de Seul, que sediou a Cúpula Mundial das Grandes Cidades do C40, da qual tive a honra de participar. O desafio é imperativo, eis que as grandes cidades consomem 75% da energia mundial, sendo responsáveis pela emissão de 80% dos gases de efeito estuda, apesar de ocuparem apenas 2% do território universal. Este desafio assume, ainda, maior expressão quando divisamos dois terços da população mundial vivendo em cidades, por volta de 2030. Neste momento, o planeta passará dos atuais 3,3 bilhões de pessoas para 5 bilhões. Por isso, a meta de atenuar a poluição nas grandes cidades passa a ser absoluta prioridade dos governos, dentre os quais o nosso.
O que está em jogo é o próprio futuro da Humanidade. A cada semana, 1,2 milhão de pessoas se muda do campo para as cidades, na esteira de um processo particularmente agudo na Ásia e na África, transferência feita de maneira desordenada e que contribui para agravar a degradação do meio ambiente. Em nosso país, também convivemos com essa dramática situação, eis que 80% da população brasileira vivem em cidades. Na viagem que empreendemos à Ásia, tivemos oportunidade de debater problemas que são comuns às grandes cidades. É impressionante a similaridade entre as aflições e angústias das populações. Em Londres, a queixa maior se volta para os sistemas de trem e metrô, sendo este o mais longo e mais antigo do mundo. Já os trens são considerados caros e atrasados. A capital londrina, apesar da maior área verde mundial, também é tomada pela poluição, havendo pesquisa atestando que a qualidade do ar mata mais que os acidentes de trânsito.
No caso de Paris, com cerca de 11 milhões de habitantes na região metropolitana, os problemas abrangem o trânsito congestionado, a poluição e o alto preço dos aluguéis, a demonstrar a completa saturação do espaço urbano. Já Nova Iorque padece de uma grande crise de energia, além da falta de espaço para habitação. Em Berlim, o trânsito é caótico e muitos guetos tomam conta da paisagem. A crise financeira abala os cofres da municipalidade. Tóquio, por sua vez, tem a maior região metropolitana do mundo, abrigando quase 30 milhões de pessoas. Mas sofre de problemas ambientais e enfrenta gigantesco congestionamento, razão pela qual decidiu implantar anéis rodoviários para evitar a entrada de veículos no centro da metrópole. E Roma, como se sabe, é um caos sob o aspecto do trânsito.
Como se pode aduzir, os problemas de nossa metrópole são um espelho de outras paisagens. Foi o que percebi. Em Tóquio e Osaka, no Japão, tive oportunidade de identificar com autoridades de trânsito e transporte questões que muito nos dizem respeito. A capital japonesa é uma cidade com dimensões semelhantes às de São Paulo. Verifiquei o sistema de metrô, que cobre toda a cidade, com várias linhas diferentes. São mais de 300 km de linhas, enquanto São Paulo tem pouco mais de 60 km. Chamou-me a atenção o projeto de monotrilho, um sistema muito mais barato que o metrô e que existe em algumas regiões desde 1964. Pois bem, nossa idéia é implantar esse modelo em São Paulo. Além de ser mais viável economicamente que o metrô, trata-se de um sistema de construção simples quando comparado aos meios de transporte sobre trilhos. O monotrilho funciona sobre vigas de concreto e o trem possui pneus.
Vamos avaliar profundamente este modelo e a estrutura do sistema de transporte público bem como o gerenciamento de trânsito no Japão. Impressionou-nos o fato de que Tóquio, apesar de ter uma população maior que São Paulo – cerca de 12 milhões contra 11 milhões de nossa cidade – não apresenta um trânsito caótico. Vimos, sim, um trânsito bastante movimentado, mas não travado. Também não existem muitas linhas de ônibus, porque o sistema de metrô funciona muito bem. Isso significa, portanto, que São Paulo está no caminho certo quando decidimos investir no metrô. O problema do trânsito só será efetivamente resolvido quando nossa capital tiver um sistema de metrô correspondente ao seu tamanho.
Com o objetivo de integrar esforços visando à maximização dos mecanismos administrativos, intensificaremos acordos de cooperação com cidades japonesas, particularmente nos campos do controle urbano e da gestão. A participação intensa na Cúpula Mundial do C40 nos deu oportunidade de passar a limpo as questões cruciais de nossa capital e chegar à conclusão de que estamos no caminho certo. Qual não foi a grata surpresa de ouvir do ex-presidente Bill Clinton, que abriu a Cúpula do C40, em Seul, e esteve por aqui, esta semana, dizer que constatou o esforço que São Paulo faz para equacionar seus graves problemas. Não por acaso, nossa capital foi escolhida para sediar a próxima Cúpula do C40 em 2011.
10/10/2009 às 6:51
Muito bem SENHOR. Em outras palavras vale rebuscar a imagem urbana das cidades como um formento para infra-estrutura instituicional. Isto ou melhor Recurso coletivo tratado trata desta area na psicologia ambiental…